
Li um artigo muito interessante sobre práticas para a igualdade racial na escola na
Revista Criança - do Professor de Educação Infantil - Dezembro de 2006, nº 42 - Ministério da Educação e gostaria de compartilhá-lo com vocês.
O artigo diz respeito à construção de uma Educação Infantil mais igualitária, reforçando a ideia de que devemos, como primeiro passo para a superação, encarar a desigualdade, a discriminação e o preconceito que existem no silêncio, pois este é o primeiro estímulo para a manutenção das desigualdades.
Nele, a professora descreve a cena que presenciou em uma sala de aula da Educação Infantil: "
Você não vai brincar comigo porque vai pretejar meus brinquedos.", disse uma criança branca para uma coleguinha negra.A psicóloga Fúlvia Rosemberg comenta sobre o fato de que as crianças podem manifestar, desde cedo, o preconceito racial já que ambas se relacionam no espaço da sala de aula, no parque, nas festas, nos clubes ou pelos meios de comunicação, interagindo assim com idéias racistas que acabam por reproduzi-las nas suas relações interpessoais no espaço escolar e também muitos profissionais estão despreparados para lidar com esse problema ou até por entenderem que se tocar no tema do racismo, vão estar estimulando uma visão negativa da população negra, resultando em silêncio sobre o tema, tanto da parte do professor quanto do aluno, só que neste caso especificamente, pode-se gerar um processo de raiva capaz de explodir em violência. Ela é partidária de que expressões do racismo sejam combatidas, propiciando uma educação que acolha a diversidade de aparência e de cultura, estimulando processos educacionais que levem as crianças a considerarem esta perspectiva como valor humano fundamental.
Fúlvia ressalta ainda que há muita necessidade de se preparar os educadores para lidar com o tema da hostilidade racial, é preciso se informar e se preparar para discutir porque, para ela, o brasileiro é muito despreparado no que diz respeito ao tema das relações raciais.
Aproveitando, aqui me estendo para relatar a experiência de uma profissional que teve a oportunidade de fazer cursos de capacitação de educadores para o tratamento da questão racial e aplicou seu aprendizado com seus alunos da Educação Infantil através de apresentações de teatro de fantoches, com a principal inclusão de bonecos negros, que anteriormente ao seu uso, ela proporcionava a todas as crianças o manuseio deles, incentivando-as a beijá-los e abraçá-los e depois fazer o mesmo com o colega do lado, valorizando asim, a diversidade na sala de aula.
O artigo termina com a descrição de alguns projetos que contribuiram para o aumento da auto-estima das crianças negras e a recomendação da leitura do seguinte livro: "Do silênco do lar ao silêncio escolar", escrito por Eliane Cavalleiro, da Editora Contexto. Acho que vale a pena conferir...